Quaest: 54% veem Flávio Bolsonaro levando candidatura até o fim em 2026

Lula Marques/Agência Brasil

A percepção do eleitorado sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ganhou tração nas últimas semanas e passou a ser vista, por uma maioria, como um projeto que deve chegar até a disputa presidencial de outubro de 2026.

Dados da pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (14) mostram que 54% dos entrevistados acreditam que o senador levará a candidatura até o fim, enquanto 34% avaliam que o movimento pretende principal ampliar poder de barganha política.

O dado ajuda a dimensionar a mudança de leitura sobre o papel do filho do ex-presidente no tabuleiro eleitoral. Até dezembro, prevalecia com mais força a avaliação de que a candidatura poderia ser instrumental, voltada a negociações futuras dentro do campo da direita. Agora, a maioria dos entrevistados passa a enxergar o projeto como efetivo, indicando maior consistência política e eleitoral.

O recorte ideológico reforça essa leitura. Entre os eleitores que se declaram de direita ou bolsonaristas, a crença de que Flávio Bolsonaro seguirá até o fim do processo eleitoral é majoritária e cresceu de forma relevante em relação ao levantamento anterior. Nesse grupo, houve avanço expressivo, de dezembro para janeiro, entre aqueles que passaram a ver a candidatura como definitiva, e não apenas como um instrumento de pressão ou negociação.

Esse movimento ajuda a explicar o ganho recente de Flávio Bolsonaro em cenários de intenção de voto testados pela Quaest, especialmente na ausência do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A consolidação da percepção de que o senador é, de fato, o nome escolhido para representar o bolsonarismo tende a reduzir incertezas dentro do eleitorado mais fiel e a ampliar sua visibilidade nacional.

Ao mesmo tempo, o fato de mais de um terço dos entrevistados ainda enxergar a candidatura como estratégia de negociação indica que o projeto enfrenta limites fora da base ideológica mais alinhada. Para esse público, permanece a dúvida sobre a disposição real de Flávio Bolsonaro de sustentar uma campanha presidencial até o fim, sobretudo diante das variáveis do cenário político e das negociações dentro da direita.

A pesquisa Quaest ouviu 2.002 pessoas, em entrevistas presenciais realizadas entre os dias 8 e 11 de janeiro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-00835/2026.

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