10 temas para os mercados de ações globais em 2026, segundo o Morgan Stanley

Em períodos de elevada volatilidade de mercado, o Morgan Stanley avalia que uma lente temática ajuda a identificar as oportunidades de investimento mais atrativas. Para 2026, os quatro temas-chave do banco são Difusão Tecnológica, Futuro da Energia, Mundo Multipolar e Mudanças Societárias.

Três deles permanecem os mesmos de 2025, enquanto mudanças societárias representa uma evolução e ampliação do antigo tema Longevidade. No ano passado, as categorias temáticas de ações superaram, em média, o MSCI World e o S&P 500 em 16 pontos percentuais (p.p.) e 27 p.p., respectivamente. Dentro dos quatro temas-chave, o banco desenvolveu 21 categorias de ações que representam facetas específicas de cada tema.

No caso de IA (inteligência artificial)/Difusão Tecnológica, por exemplo, destacam-se: Habilitadores de IA (AI Enablers), Adotantes de IA (AI Adopters), Humanoid 100 e Infraestrutura de IA (AI Infrastructure). As três categorias com melhor desempenho foram impulsionadas por dinâmicas do Mundo Multipolar.

O banco também identificou geração de retorno adicional ao aproveitar momentos de fraqueza do mercado, mantendo uma abordagem temática consistente. Um exemplo foi a estratégia de comprar ações ligadas à energia para IA durante quedas de mercado, que adicionou cerca de 60% de retorno adicional entre 2023 e 2025.

10 temas para 2026

Na perspectiva para 2026, o Morgan Stanley apresenta 10 previsões temáticas vinculadas aos seus quatro temas principais: Difusão de IA/Tecnologia, Futuro da Energia, Mundo Multipolar e Mudanças Societárias.

1. “Dois mundos” no avanço dos modelos de linguagem e adoção de IA

O banco projeta que os modelos de linguagem de grande porte (LLMs) de ponta dos Estados Unidos alcancem um salto relevante de capacidade no primeiro semestre de 2026, avanço que não seria acompanhado no mesmo ritmo pelos concorrentes chineses.

Na China, os desenvolvedores seguem focados em reduzir o custo de aplicações práticas de IA para uma ampla gama de casos de uso. A distância entre a capacidade da IA e sua adoção tende a aumentar, alimentando a volatilidade das ações, à medida que o mercado alterna entre a preocupação com um “funil estreito” de adotantes e o otimismo quanto aos ganhos gerados pelos usuários mais avançados.

No segundo semestre de 2026, a adoção de IA deve acelerar rapidamente, refletindo os impactos de avanços não lineares contínuos nas capacidades da tecnologia.

2. Demanda por poder computacional acima da oferta

Para 2026, o Morgan Stanley antecipa evidências de uma escassez estrutural de poder computacional diante do crescimento extraordinariamente rápido da demanda.

Mesmo com ganhos adicionais de eficiência em software e hardware, a proliferação de casos de uso de IA e o aumento de sua complexidade, como geração de vídeo, robótica e pesquisa avançada, devem impulsionar um crescimento exponencial da demanda líquida por computação. As limitações na expansão da infraestrutura de IA tendem a agravar esse desequilíbrio.

3. Agenda política agressiva nos Estados Unidos

O banco avalia que o governo Trump deve adotar uma postura mais assertiva do que o esperado, incluindo ações para reduzir a dependência da China em terras raras, minerais críticos e outros insumos estratégicos, como urânio enriquecido e metais.

A agenda inclui ainda estímulos ao reshoring (retomada dos processos industriais em caráter nacional) da produção industrial, aumento dos gastos militares, especialmente em áreas emergentes, e medidas voltadas à redução da inflação em determinados segmentos.

4. Transferência de tecnologia de IA e busca por autossuficiência nacional

Em resposta às dinâmicas geopolíticas, a China tende a pressionar por uma maior transferência de tecnologia de IA. Em paralelo, Estados Unidos e Europa reforçam o apoio governamental para reduzir a dependência de minerais e materiais críticos.

As disparidades nas capacidades nacionais de IA intensificam negociações comerciais, à medida que os países buscam elevar sua “Inteligência Interna Bruta” (Gross Domestic Intelligence), movimento que favorece especialmente EUA e China.

5. Política de energia

O aumento dos custos de energia, frequentemente associado à expansão da IA e dos data centers, provoca reações políticas e sociais. Entre os efeitos estão maior resistência local a novos projetos de data centers, apoio a fontes de energia de menor custo mesmo com maior intensidade de carbono e a adoção de soluções de fornecimento fora da rede (off-grid) para mitigar impactos sobre outros consumidores.

6. Convergência entre IA e energia

O Morgan Stanley observa que grandes empresas de IA buscam maior controle sobre a infraestrutura energética para garantir segurança no fornecimento, reduzir custos, proteger outros usuários de energia e utilizar a própria IA para elevar a eficiência energética.

7. China amplia presença na manufatura tecnológica, enquanto os EUA vivem um re-shoring estrutural

A China segue ampliando sua participação no mercado global de manufatura tecnológica, apoiada por planejamento de longo prazo, cadeias de suprimento domésticas, forte investimento em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento), ampla base de talentos, um sistema bancário com papel similar ao de um grande fundo de venture capital e extensas parcerias público-privadas.

Nos Estados Unidos, a difusão tecnológica reduz a vantagem da mão de obra barata, favorecendo um retorno estrutural da produção doméstica após décadas de terceirização. Países com custos elevados, alta regulação e menor acesso à IA e à computação tendem a perder participação de mercado.

8. América Latina passa por uma tríade de mudanças

Mudanças de política econômica, nova dinâmica geopolítica e o pico das taxas de juros impulsionam a América Latina rumo a um novo ciclo de investimentos, mais baseado em investimento do que em consumo. A relevância da região no mundo multipolar cresce por canais financeiros, comerciais, políticos e militares.

Segundo o Morgan Stanley, Argentina, Chile e México se afastam do populismo em diferentes graus, enquanto a IA surge como um potencial catalisador adicional desse ciclo. Juros mais baixos também favorecem a realocação para ações, com os mercados de capitais domésticos podendo alcançar US$ 6 trilhões até 2035, ante US$ 2,5 trilhões atualmente.

9. Requalificação profissional e intervenção política diante da IA

O banco destaca a proliferação de iniciativas corporativas e governamentais voltadas à requalificação de trabalhadores afetados pela adoção da IA.

A sensibilidade política ao risco de perda de empregos leva a intervenções que vão desde programas de proteção ao emprego até apoio financeiro a trabalhadores desempregados.

10. IA transformadora e impactos macroeconômicos

No segundo semestre de 2026, o Morgan Stanley identifica sinais iniciais de queda acelerada de preços em diversas atividades econômicas, especialmente serviços. Esse movimento tende a ampliar a desigualdade salarial, elevar o investimento em capital, pressionar as taxas de juros e valorizar ativos que não podem ser replicados pela IA. Países com baixa “Inteligência Interna Bruta” ou estruturas de custo elevadas ficam em desvantagem competitiva.

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