Tarcísio: São Paulo enfrenta ‘epidemia de feminicídios’ e promete combate

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos)  • Bruno Escolastico Sousa

O estado de São Paulo se depara com uma alarmante “epidemia de feminicídios”, conforme declaração do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) nesta quinta-feira (11). A afirmação surge em um contexto de números crescentes e preocupantes, com 53 casos de feminicídio registrados apenas neste ano, marcando o maior índice desde o início da série histórica em 2015. Durante um evento em Carapicuíba, na Grande São Paulo, o governador expressou a gravidade da situação, prometendo um empenho irrestrito do governo para combater essa violência. A gestão estadual reconhece a complexidade do problema, que exige não apenas repressão, mas também um olhar atento às raízes e às dificuldades enfrentadas pelas vítimas na busca por ajuda, um desafio que se destaca mesmo em um cenário de redução de outros crimes.

Números alarmantes e a declaração do governador

A violência contra a mulher atinge patamares críticos em São Paulo, com os dados mais recentes de feminicídios confirmando uma trajetória ascendente que preocupa as autoridades. Os 53 casos contabilizados em 2025 representam um recorde doloroso, superando todos os registros desde o estabelecimento da série histórica dedicada a esse tipo de crime, em 2015. Em um pronunciamento firme durante um evento público na cidade de Carapicuíba, o governador Tarcísio de Freitas não hesitou em classificar a situação como uma “grande epidemia”. Essa terminologia reflete a urgência e a disseminação do problema, sinalizando que a violência de gênero não é um incidente isolado, mas sim uma chaga social que demanda atenção e ação imediata em todas as esferas do governo. A declaração sublinha a intenção de usar “toda a energia necessária” para reverter o cenário, colocando o enfrentamento ao feminicídio como uma das prioridades máximas da administração estadual.

A nova liderança e a complexidade dos crimes

Em um movimento estratégico para reforçar o combate à violência contra a mulher, o governo de São Paulo promoveu uma mudança na liderança da Secretaria de Políticas para a Mulher. A pasta agora está sob o comando da delegada Adriana Liporini, cuja experiência no enfrentamento à violência de gênero é vista como um diferencial crucial pelo governador. Tarcísio de Freitas ressaltou que o combate ao feminicídio é um dos maiores desafios de sua gestão, destacando a natureza particular desses crimes. Ele frisou que, em grande parte, são “crimes passionais”, muitas vezes cometidos por indivíduos próximos às vítimas, o que adiciona uma camada de complexidade e dificuldade para a intervenção e prevenção. O governador contrastou essa realidade com a redução observada em outros tipos de delitos, como latrocínios, homicídios gerais e roubos, indicando que, nos casos de violência doméstica e feminicídios, persistem obstáculos significativos. Entre eles, ele citou o “constrangimento da mulher para procurar ajuda”, um fator cultural e social que impede muitas vítimas de denunciar seus agressores e buscar o apoio necessário.

Iniciativas governamentais em curso

Para enfrentar a complexidade da violência contra a mulher, o governo de São Paulo tem implementado e fortalecido diversas políticas públicas. Uma das ações mais destacadas é a ampliação e o funcionamento ininterrupto das Salas DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), com 160 unidades operando 24 horas por dia em todo o estado. Essas delegacias especializadas são pontos de acolhimento e registro de ocorrências, buscando oferecer um ambiente mais seguro e adequado para as vítimas. Além disso, foi lançado o aplicativo “Mulher Segura”, uma ferramenta digital que visa facilitar o acesso das mulheres à justiça, permitindo o registro de boletins de ocorrência de forma simplificada e a solicitação de medidas protetivas de urgência diretamente pelo celular. Outra medida importante é a utilização de tornozeleiras eletrônicas para monitorar agressores, uma tecnologia que busca garantir o distanciamento do perpetrador e aumentar a segurança das vítimas, prevenindo novas violências.

Controvérsia sobre o orçamento e a defesa do governo

Apesar do discurso enfático sobre o combate ao feminicídio e as iniciativas em andamento, uma controvérsia orçamentária trouxe à tona questionamentos sobre o real investimento na área. A proposta de Lei Orçamentária para 2026, encaminhada à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), prevê uma redução de 54% no orçamento destinado à Secretaria de Políticas para a Mulher. O montante passaria de R$ 36,2 milhões aprovados para 2025 para R$ 16,5 milhões no próximo ano. Questionado sobre essa diminuição, o governador Tarcísio de Freitas argumentou que o valor proposto para 2026, embora menor que o aprovado para 2025, representa um aumento em relação aos R$ 9 milhões inicialmente previstos pelo Executivo para o ano corrente. Ele também explicou que a Secretaria de Políticas para a Mulher possui uma função transversal, o que significa que as políticas de combate à violência de gênero são, na prática, executadas por outras pastas. “Quando falamos de orçamento, é preciso cuidado: a secretaria não executa as políticas. A saúde da mulher é executada pela Saúde; a segurança da mulher, pela Segurança Pública”, defendeu o governador, enfatizando a distribuição de responsabilidades entre os diversos órgãos estaduais.

Expectativa de aumento nos registros e a importância da punição

Olhando para o futuro, o governador Tarcísio de Freitas prevê um possível crescimento nas estatísticas de feminicídios nos próximos meses. Contudo, essa expectativa não seria reflexo de um aumento na ocorrência de crimes, mas sim de uma maior procura das vítimas por ajuda e, consequentemente, de um maior registro das ocorrências. Essa projeção sugere uma elevação na confiança das mulheres nos canais de denúncia e apoio, o que, a longo prazo, é um sinal positivo de empoderamento e visibilidade do problema. “Imagino que tenhamos crescimento na estatística porque as mulheres devem procurar mais ajuda. Precisamos tomar todas as providências para mitigar esse problema”, afirmou o governador. Paralelamente às ações de prevenção e acolhimento, ele ressaltou a importância fundamental de uma resposta rigorosa do sistema de justiça. Tarcísio defendeu “punição severa e dura para quem comete esses crimes, para que sirva de exemplo”, indicando que a impunidade é um fator que alimenta a continuidade da violência e que a justiça precisa atuar de forma contundente para desestimular futuros agressores e proteger as vítimas. O tema deve ser votado na Alesp na próxima semana.

 

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br

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