Servidor da Adapec é indiciado por assédio e perseguição contra estagiária em Araguaína

Marcos Sandes/Secom Araguaína - Divulgação

A Polícia Civil do Tocantins concluiu o inquérito que apurava graves denúncias de assédio sexual, importunação e perseguição contra uma estagiária de 27 anos, e indiciou formalmente um fiscal de defesa agropecuária da Agência de Defesa Agropecuária (Adapec) em Araguaína. O servidor, de 44 anos, identificado pelas iniciais A.S.R., responderá criminalmente pelos três delitos, que teriam ocorrido no ambiente de trabalho da unidade no segundo semestre de 2024. A investigação, conduzida pela 26ª Delegacia de Polícia do município, detalha um padrão de conduta abusiva, que incluiu desde comentários de cunho sexual até atos de perseguição fora do expediente. O caso foi encaminhado ao Ministério Público Estadual, marcando uma etapa crucial na busca por justiça e na responsabilização por condutas inaceitáveis no serviço público.

O início da investigação e as primeiras denúncias

A apuração da Polícia Civil do Tocantins teve início após a estagiária de 27 anos, que trabalhava na unidade da Adapec em Araguaína, formalizar denúncias contra o fiscal de defesa agropecuária A.S.R. Os fatos investigados, ocorridos no segundo semestre de 2024, revelaram um ambiente de trabalho hostil e intimidatório, onde a vítima era constantemente submetida a situações de constrangimento e desconforto. A posição hierárquica do servidor público, segundo o inquérito, foi utilizada para exercer pressão e impor um comportamento inadequado, caracterizando um claro abuso de autoridade.

Abuso de poder e comentários impróprios

Conforme detalhado no inquérito, o fiscal A.S.R. teria se valido de sua posição na Adapec para constranger a estagiária com comentários reiterados de cunho sexual e ofensivo. Relatos colhidos durante a investigação apontam para afirmações depreciativas sobre mulheres e menções explícitas a condutas sexuais dentro da repartição pública. Tais falas, além de desrespeitosas, criavam um clima de trabalho insalubre e permeado por insinuações. Em um dos episódios mais marcantes, o investigado tocou o cabelo da estagiária sem seu consentimento e proferiu um comentário de duplo sentido. Este ato específico causou grande constrangimento e desconforto à vítima, que se viu em uma situação de vulnerabilidade diante da atitude invasiva e inapropriada de seu superior. A gravidade desses atos não reside apenas na natureza dos comentários, mas também na maneira como eles foram utilizados para minar a dignidade e a segurança psicológica da estagiária em seu próprio local de trabalho.

A escalada da conduta e a perseguição (stalking)

A situação da estagiária na Adapec, já delicada devido aos comentários e toques inadequados, agravou-se consideravelmente após ela comunicar os fatos aos seus superiores. Em vez de cessar o comportamento, o servidor A.S.R. teria intensificado suas ações, passando a adotar uma conduta ainda mais intimidatória e, posteriormente, persecutória. Essa escalada representou uma clara retaliação à tentativa da vítima de buscar ajuda e fazer cessar o assédio, transformando o ambiente de trabalho e o trajeto diário em fontes de constante apreensão e medo.

Ameaças e vigilância fora do ambiente de trabalho

Após a denúncia interna, o comportamento do fiscal A.S.R. teria passado de assédio no local de trabalho para atos de perseguição, com abordagens intimidatórias e vigilância fora da unidade da Adapec. Um dos episódios mais graves e alarmantes ocorreu em outubro de 2024, quando a estagiária percebeu que estava sendo seguida ao sair do expediente. Diante da situação, movida pelo temor pela própria segurança, ela alterou seu trajeto habitual e buscou abrigo, até conseguir auxílio de colegas. Este incidente de “stalking” demonstrou a persistência e a gravidade das ações do investigado, que ultrapassaram os limites do ambiente profissional e invadiram a esfera pessoal da vítima, gerando um profundo estado de ansiedade e insegurança. A sensação de estar sendo vigiada e seguida é um componente psicológico devastador, que afeta a liberdade e a paz de espírito da pessoa, demandando uma resposta firme das autoridades para coibir tais práticas.

As provas coletadas e o indiciamento

Durante as diligências para a coleta de provas, a Polícia Civil obteve elementos contundentes que corroboraram as denúncias da estagiária e fundamentaram o indiciamento do servidor da Adapec. A robustez do conjunto probatório foi crucial para a formalização das acusações de assédio sexual, importunação sexual e perseguição. A investigação não se limitou aos depoimentos, buscando também evidências materiais que pudessem sustentar as alegações da vítima, reforçando a seriedade da apuração.

Evidências físicas e depoimentos cruciais

No decorrer da investigação, uma descoberta significativa foi feita na mesa de trabalho do fiscal A.S.R.: a polícia localizou objetos como calcinhas e lubrificante. A presença desses itens, considerados incompatíveis com o ambiente profissional de uma repartição pública, foi destacada no inquérito como um elemento que reforça os indícios de conduta inadequada no exercício da função pública e a natureza do assédio imputado. Além das evidências materiais, a Polícia Civil ouviu a vítima, seu supervisor do setor e diversas testemunhas, cujos depoimentos foram essenciais para traçar o panorama completo dos fatos. Com base em todos os elementos reunidos, a Polícia Civil formalizou o indiciamento do servidor pelos três crimes. A soma das penas para assédio sexual, importunação sexual e perseguição pode chegar a até dez anos de prisão, dependendo da decisão judicial. O rigor da lei nestes casos reflete a gravidade das condutas e a necessidade de proteger as vítimas de tais abusos.

As próximas etapas do processo e as possíveis sanções

Com a conclusão do inquérito e o formal indiciamento do fiscal da Adapec, o caso avança para as próximas fases do sistema judiciário e administrativo. A Polícia Civil cumpriu sua parte na investigação criminal, reunindo provas e indiciando o responsável. Agora, a responsabilidade de dar prosseguimento e de aplicar as devidas penalidades recai sobre outras instituições, que atuarão em esferas distintas, porém complementares, para garantir a justiça e a integridade no serviço público.

O procedimento criminal foi encaminhado ao Ministério Público Estadual (MPE), que analisará todo o material probatório e decidirá sobre o oferecimento da denúncia à Justiça. Caso o MPE decida denunciar, o servidor se tornará réu e o processo penal terá início, com a instrução processual, apresentação de defesas e, eventualmente, julgamento. Paralelamente às medidas judiciais, a Corregedoria-Geral do Estado foi comunicada sobre o indiciamento. Esta notificação é crucial para a abertura de um processo administrativo disciplinar contra o fiscal. As medidas administrativas cabíveis podem incluir desde sanções disciplinares, como advertências ou suspensões, até a eventual demissão do servidor público, caso as infrações sejam consideradas de natureza grave o suficiente para justificar a perda do cargo. A coexistência dos processos criminal e administrativo visa assegurar uma resposta completa e proporcional à gravidade das condutas investigadas, tanto na esfera penal quanto na esfera da conduta ética e funcional no serviço público.

 

Fonte: https://tocantins.jornalopcao.com.br

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