Maria Santana assume Reitoria da UFT e se torna primeira mulher negra a liderar universidade federal no Tocantins

Rozeane Feitosa

A professora Maria Santana Milhomem foi empossada nesta quarta-feira, 4, como reitora da Universidade Federal do Tocantins (UFT) pelo ministro da Educação, Camilo Santana. Sua indicação pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após ser a mais votada na consulta eleitoral, marca um momento histórico: ela se torna a primeira mulher negra a comandar a UFT e a primeira reitora negra de uma instituição federal de ensino superior no estado do Tocantins.

O Contexto da Posse e a Representatividade

Durante a cerimônia, o ministro da Educação, Camilo Santana, enfatizou a relevância do combate às desigualdades e ao racismo no país. "Precisamos lutar sempre para combater o racismo nesse país, combater as desigualdades. E dizer que o lugar de mulher, e principalmente mulheres negras, é onde elas quiserem estar", declarou o ministro, destacando a importância da nomeação da professora Santana como um avanço significativo para a representatividade.

Trajetória Pessoal e Impacto das Políticas Públicas

Em seu discurso de posse, a reitora Maria Santana Milhomem relembrou sua trajetória, atribuindo sua ascensão à Reitoria ao investimento do Estado brasileiro na educação pública. "Sou a prova do que o Estado brasileiro é capaz de realizar quando investe em seu povo. Saí do campo e cheguei à academia através do ensino público gratuito e de qualidade", afirmou. Ela ressaltou que sua história é resultado de políticas educacionais e do incentivo de outras mulheres que a precederam, servindo como referência para jovens e mulheres negras ao reafirmar que "os espaços de decisão e de poder também nos pertencem".

Compromisso com a Educação e Desenvolvimento Regional

A reitora destacou a necessidade de fortalecer a confiança da juventude na educação e a atuação estratégica da UFT no desenvolvimento regional. A universidade possui cinco campi – Arraias, Gurupi, Palmas, Porto Nacional e Miracema do Tocantins – e oferece 35 cursos, impactando diretamente as realidades locais do estado. Santana ainda mencionou o pioneirismo da UFT em políticas de inclusão, como as cotas indígenas, e sua referência atual na inclusão de quilombolas e comunidades tradicionais, incluindo o povo Xerente.

Pedido de Apoio e Visão para o Futuro

Dirigindo-se ao ministro Camilo Santana, a reitora solicitou a inclusão da construção do hospital universitário da UFT no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), enfatizando sua importância estratégica para a formação de profissionais de saúde e a ampliação do acesso a serviços de alta complexidade na região Norte. Maria Santana concluiu sua fala defendendo o fortalecimento de uma instituição democrática e diversa, afirmando que "a UFT é feita por todas as mãos e de todos os sonhos que aqui se encontram" e que o futuro da universidade passa pela consolidação de um espaço que acolha a diversidade e promova a dignidade humana através do conhecimento.

Fonte: https://tocantins.jornalopcao.com.br

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