O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, faleceu neste sábado, 28, após uma ofensiva militar coordenada entre Estados Unidos e Israel. A confirmação da morte foi divulgada pelo ex-presidente americano Donald Trump em suas redes sociais, enquanto o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu já havia indicado fortes indícios de sua não sobrevivência. Khamenei, que governou o regime iraniano por quase quatro décadas, era a principal autoridade política e religiosa do país, e sua morte foi classificada por Trump como um "ato de justiça" contra quem considerava "uma das pessoas mais malignas da História".
Confirmação e Reações Imediatas
Em sua publicação, Donald Trump afirmou que a operação militar contou com monitoramento de inteligência e que Ali Khamenei não conseguiu escapar do complexo atingido. O ex-presidente responsabilizou o líder iraniano por mortes atribuídas a grupos aliados de Teerã, declarando que a ação representa um "ato de justiça" para o povo do Irã, para os americanos e para cidadãos de diversas outras nações. Ele ainda incitou a população iraniana a "retomar o próprio país", mencionando que integrantes da Guarda Revolucionária (IRGC) e outras forças de segurança estariam buscando imunidade.
Horas antes da divulgação de Trump, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu já havia declarado a existência de fortes indícios de que o líder iraniano não sobrevivera ao ataque em Teerã. Contudo, autoridades iranianas inicialmente negaram a informação, assegurando que Khamenei estava em segurança.
Detalhes da Ofensiva e Retaliação
A ofensiva militar deste sábado resultou em 201 mortos e 747 feridos, conforme dados divulgados por veículos iranianos com base em informações da rede humanitária Crescente Vermelho. Explosões foram registradas na capital Teerã e em outras cidades importantes, como Isfahan, Qom, Karaj e Kermanshah.
Em retaliação, o Irã lançou mísseis e drones contra o território israelense e bases norte-americanas na região, provocando a ativação de sistemas de defesa em diversos países do Golfo. O Estreito de Ormuz, uma rota marítima estratégica vital para o transporte global de petróleo, foi temporariamente fechado por razões de segurança.
Netanyahu informou que comandantes da Guarda Revolucionária e integrantes do programa nuclear iraniano também faleceram nos bombardeios, alertando para a possibilidade de novas ações militares. O primeiro-ministro israelense fez um apelo direto à população iraniana para que se manifestasse contra o regime, indicando a escalada da tensão no Oriente Médio como um dos momentos mais críticos das últimas décadas, com potencial para um conflito regional de grandes proporções.
A Trajetória de Ali Khamenei no Poder
Nascido em 1939 na cidade sagrada de Mashhad, Ali Khamenei cresceu durante o governo do xá Reza Pahlavi, período em que o Irã mantinha relações próximas com o Ocidente. Ele desempenhou um papel ativo na mobilização que culminou na Revolução Islâmica de 1979, liderada por Ruhollah Khomeini, evento que derrubou a monarquia e estabeleceu a república islâmica no país.
Após a revolução, Khamenei ascendeu rapidamente entre os clérigos xiitas. Em 1981, sobreviveu a um atentado que resultou em danos permanentes à sua mão direita. No mesmo ano, foi eleito presidente do país. Com a morte de Khomeini em 1989, assumiu o posto de líder supremo, consolidando autoridade sobre as Forças Armadas, o Judiciário e a formulação da política externa iraniana.
Durante sua liderança, o Irã fortaleceu alianças regionais, prestando apoio a grupos como o Hezbollah no Líbano e o Hamas na Faixa de Gaza. Essa estratégia visava confrontar indiretamente Israel e seus aliados ocidentais na região.
Desafios Internos e Crises
Internamente, o governo de Khamenei enfrentou sucessivas ondas de protestos. Em 2009, as manifestações da "Onda Verde" contestaram o resultado da eleição presidencial. Em 2019, protestos contra o aumento do preço dos combustíveis foram violentamente reprimidos. Em 2022, a morte de Mahsa Amini sob custódia policial deflagrou novos atos, caracterizados por denúncias de prisões em massa e censura.
Nos últimos anos, o país também conviveu com uma elevada inflação, crescente desemprego e o impacto significativo das sanções internacionais, impostas principalmente em decorrência do programa nuclear iraniano.