Venezuela: Um Estudo de Caso da Nova Abordagem dos EUA
A ação dos Estados Unidos que culminou na ‘captura’ de Nicolás Maduro na Venezuela emerge como o estudo de caso paradigmático da nova e audaciosa abordagem da política externa americana sob a égide de Donald Trump. Conforme avalia o cientista político Ian Bremmer, presidente do Grupo Eurasia, esta operação demonstra uma disposição clara de Washington em impor resultados quando identifica uma vantagem operacional significativa e um custo político percebido como baixo. A intervenção na Venezuela, portanto, não é apenas um evento isolado, mas uma manifestação explícita de uma estratégia que prioriza a execução decisiva sobre a diplomacia prolongada, redefinindo os parâmetros da influência regional.
A viabilidade de tal empreitada foi, segundo Bremmer, intrinsecamente ligada a um meticuloso trabalho de inteligência, que contou com o apoio crucial de setores internos das Forças Armadas venezuelanas. Essa colaboração interna foi fundamental para evitar um confronto aberto e mitigar o risco de uma escalada militar indesejada, permitindo uma desestabilização controlada do regime. O desfecho imediato projeta um cenário de um governo de transição, com uma presença militar proeminente e a ausência de eleições a curto prazo, sublinhando a natureza pragmática e orientada para resultados da intervenção americana.
O impacto da ofensiva venezuelana estende-se muito além de suas fronteiras. A demonstração de capacidade dos Estados Unidos em remover um governo considerado indesejável envia um recado contundente a outros líderes regionais e atores não-estatais, como traficantes de drogas na Colômbia e no México, sinalizando uma soberania nacional mais vulnerável. Bremmer interpreta este episódio como um reforço da ‘lei da selva’ nas relações internacionais, onde a combinação de poder, disposição para agir e a ausência de regras claras modela um mundo cada vez mais instável, que ele define como um cenário de ‘G-zero’. A lógica subjacente, para Trump, é direta: remover líderes que não lhe agradam, independentemente de pretextos democráticos ou de combate ao crime, como evidenciado pela aparente satisfação de líderes europeus com a ação.