Entidades dizem que danos causados pelo vendaval no Jardim Taquari são resultado de “omissões e negligências históricas” do poder público

O Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedeca) Glória de Ivone, em conjunto com adolescentes do Jardim Taquari e organizações parceiras, divulgou na segunda-feira (12) uma nota pública de repúdio e solidariedade às famílias afetadas pelo vendaval registrado na última quinta-feira (8) no setor.

No documento, a entidade aponta que os danos causados pelo fenômeno climático expõem um histórico de falhas do poder público, especialmente pela inexistência de políticas estruturantes capazes de assegurar direitos básicos à população da região.

A nota destaca que os impactos enfrentados pelo Jardim Taquari não podem ser encarados como episódios pontuais. Segundo o Cedeca, trata-se de reflexos diretos do avanço das mudanças climáticas, que têm intensificado chuvas, ventos fortes e instabilidades ambientais. Esses efeitos, conforme a entidade, atingem com maior severidade áreas periféricas, onde faltam infraestrutura adequada, sistemas eficientes de drenagem, planejamento urbano e políticas ambientais contínuas.

O texto também relaciona o vendaval às desigualdades sociais históricas. Para o Cedeca, a ausência de ações preventivas transforma a omissão estatal em um risco constante à vida, à saúde e à dignidade da população. Crianças, adolescentes, idosos e famílias em situação de vulnerabilidade são apontados como os mais afetados. O episódio recente agravou um cenário que já era considerado crítico.

Entre os prejuízos relatados estão quedas de árvores, destruição de muros, danos em telhados, estruturas comprometidas e perdas materiais significativas, impactando diretamente a renda e os meios de subsistência das famílias. Moradores também relataram quedas de raios em residências, gerando medo e insegurança durante um período de chuva intensa que durou cerca de 15 a 20 minutos.

O Cedeca relembra que problemas como alagamentos recorrentes em escolas da comunidade e no CRAS Xerente comprometem serviços essenciais, violando direitos básicos, como o acesso à educação e à assistência social. Ruas sem pavimentação e vias constantemente inundadas obrigam moradores a circularem por águas contaminadas, ampliando riscos à saúde pública.

A entidade ressalta que, desde 2017, mantém diálogo com o poder público municipal, apresentando demandas consolidadas na agenda comunitária “Vozes do Taquari”, que reúne propostas nas áreas de educação, saúde, assistência social, infraestrutura, mobilidade urbana, segurança e qualificação profissional. Apesar das reiteradas apresentações, as reivindicações ainda não foram incorporadas de forma efetiva às políticas públicas ou aos instrumentos orçamentários.

Com base em dispositivos da Constituição Federal e do Estatuto da Criança e do Adolescente, o Cedeca reforça que é dever do Estado garantir o direito à cidade, à moradia digna, à infraestrutura urbana e à proteção integral de crianças e adolescentes.

Ao final, a entidade cobra do município a implementação imediata e permanente de estratégias de prevenção, adaptação e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. Entre as medidas defendidas estão investimentos em drenagem urbana, pavimentação, requalificação de escolas e do CRAS, mapeamento de áreas de risco, planos de contingência e políticas de proteção social às famílias atingidas. Segundo o documento, essas ações devem integrar de forma contínua o planejamento orçamentário, e não se limitar a respostas emergenciais após os desastres.

O Cedeca conclui afirmando que os moradores do Jardim Taquari fazem parte da cidade e exigem respeito, justiça social e ambiental, além da garantia efetiva de seus direitos.

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