A Secretaria de Saúde Pública do Pará, através da Coordenação Estadual de Políticas para o Autismo (Cepa), qualificou nesta terça-feira mais de 300 policiais militares no curso de capacitação operacional em atendimento público humanizado à pessoa com transtorno do espectro autista (TEA).
“Nossa ideia é cada vez mais levar este conhecimento sobre o autismo para todos os segmentos da sociedade, e ter uma instituição centenária como a Polícia Militar caminhando ao nosso lado é muito importante. Nós elaboramos este curso para orientar e sensibilizar os policiais militares para as demandas e particularidades da população TEA. Através desta capacitação, nós teremos uma força de segurança pública qualificada e pronta para agir em defesa do cidadão neurodivergente, acolhendo suas demandas e respeitando seus direitos”, disse Flávia Marçal, coordenadora da Cepa.
O curso teve carga horária de oito horas, divididas em dois ciclos de palestra sobre as condutas e abordagens voltadas para a população atípica, capacitando os policiais para o manejo de situações envolvendo pessoas que estejam no espectro, seja ele na qualidade de vítima, testemunha ou mesmo suspeito.
“O propósito desta capacitação de atendimento humanizado à pessoa com transtorno do espectro autista é capacitar os policiais militares do Estado do Pará a abordarem pessoas com transtorno do espectro autista em situações de segurança, além e outros aspectos operacionais relacionados às dificuldades principalmente sensoriais da pessoa com transtorno do espectro autista, assim como os aspectos comunicacionais para tornar o trabalho do policial operando em campo, operando em patrulha, ser um atendimento mais humanizado e minimizar ao máximo as complicações e demais possibilidades de um manejo ruim da situação de segurança”, explica Matheus Castanho, assessor técnico da Cepa.
Para o coronel Hélio Moraes, diretor de Polícia Comunitária e Direitos Humanos, a qualificação proporcionada pela Sespa traz informações valiosas para os profissionais de segurança pública.
“Todo conhecimento é válido. E quando ele é um conhecimento que está atrelado à saúde, às especializações e a fatos bem sensíveis, melhor ainda. A nossa atividade policial, na atividade final, é muito estressante, é imediata, e a maior habilidade que o policial deve ter é o discernimento. Então essa palestra hoje, para falar sobre o autismo, vai recompensar os nossos policiais no discernimento de como identificar, de como atender, de como conduzir. Porque o cidadão com autismo é um cidadão igual a qualquer um, porém, a gente precisa de algumas peculiaridades no nosso atendimento. Então, isso vai valorizar, é um conhecimento a mais, e eu tenho certeza que vai trazer qualidade no atendimento policial militar”, disse o coronel.
A soldado Dhieinny, do Batalhão de Policiamento Escolar, participou da capacitação e afirmou que o conhecimento adquirido é essencial para o dia a dia dos policiais. “Como policial do BPOE eu vejo que essa palestra sobre o autismo agrega muito no nosso dia a dia nas escolas, porque a gente trabalha diretamente com crianças em vários níveis, desde o fundamental ao médio, e no nosso dia a dia a gente vê que temos muitas crianças, muitos adolescentes no espectro do autismo. Então a gente vai saber lidar melhor com essas crianças, como chegar nelas, a abordagem que a gente vai ter diariamente e se precisar, em algum caso, conduzir algum adolescente, a gente vai saber fazer esse procedimento de uma forma mais humanizada”, conclui.
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