A Polícia Civil do Estado do Tocantins, por meio da 3ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (3ª DEIC – Araguaína), deflagrou recentemente a Operação Cartão Oculto. O objetivo foi desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes eletrônicas e lavagem de dinheiro, investigada por causar um prejuízo estimado em mais de R$ 1 milhão a uma instituição de pagamentos. A ação policial cumpriu cinco mandados de busca e apreensão em Araguaína (TO), Divinópolis (MG), Ribeirão Preto (SP) e Nova Iguaçu (RJ), além de determinar o bloqueio de ativos financeiros dos investigados.
Início da Investigação e Estrutura Criminosa
As apurações foram iniciadas após uma denúncia da empresa vítima, que identificou um volume elevado de transações suspeitas e movimentações atípicas. A análise técnica e o rastreamento financeiro realizados pelos policiais revelaram a existência de um esquema estruturado para aplicar golpes. O grupo, supostamente liderado por um indivíduo residente em Araguaína, utilizava uma empresa de fachada criada exclusivamente para conferir uma falsa legalidade às transações fraudulentas.
Mecanismo da Fraude
De acordo com as investigações, os criminosos simulavam vendas inexistentes para induzir a instituição de pagamentos a liberar valores indevidos. Para isso, utilizavam dados de cartões de crédito obtidos ilegalmente e registravam compras fictícias em nome da empresa de fachada. Com as transações lançadas no sistema como se fossem vendas reais, os investigados solicitavam a antecipação dos valores a receber. Uma vez creditados, os recursos eram rapidamente transferidos para diversas contas de terceiros, utilizados como 'laranjas', em diferentes estados, dificultando o rastreamento e a recuperação do dinheiro.
Etapas do Golpe
O esquema operava em quatro etapas principais: a **obtenção ilegal de dados** de cartões por meio de páginas falsas na internet e compra em redes clandestinas (técnica conhecida como 'phishing'); o registro de **vendas fictícias** na modalidade online, sem a presença do cartão; a **liberação rápida dos valores**, solicitando a antecipação dos recebíveis para sacar o dinheiro antes da contestação das vítimas; e, por fim, a **dispersão do dinheiro** por meio de transferências fracionadas para contas de terceiros, com o objetivo de ocultar a origem ilícita.
Divisão de Tarefas e Alcance Interestadual
As diligências policiais também apontaram uma divisão de tarefas entre os integrantes da organização. O principal articulador, responsável pelo registro da empresa de fachada e execução das transações, atuava em Araguaína (TO). Em Divinópolis (MG), um coordenador técnico era encarregado da criação de páginas falsas e gerenciamento de contas fraudulentas. De Nova Iguaçu (RJ), um operador com conhecimento tecnológico burlava sistemas de verificação de identidade e captava dados de cartões. Já em Ribeirão Preto (SP), facilitadores financeiros eram responsáveis por receber e pulverizar os valores desviados.
Apreensões e Continuidade das Investigações
Durante o cumprimento dos mandados judiciais, foram apreendidos celulares, computadores de alta performance, R$ 18 mil em espécie e documentos relacionados à fraude eletrônica. Todo o material será submetido à perícia para auxiliar na identificação de outros envolvidos e no aprofundamento das investigações. O delegado Márcio Lopes da Silva, titular da 3ª DEIC – Araguaína, destacou a relevância da operação: “Estamos desarticulando uma organização criminosa estruturada, com divisão de tarefas e atuação em diversos estados, responsável por fraudes de grande impacto financeiro. A integração entre as equipes policiais foi fundamental para o sucesso da operação e para o avanço das investigações.” As investigações prosseguem com o objetivo de identificar outros participantes do esquema, responsabilizar os envolvidos e recuperar os valores desviados.