As articulações em torno da possível sucessão no governo do Rio de Janeiro reacenderam divisões internas no PT fluminense. O debate ocorre diante da chance de o governador Cláudio Castro deixar o cargo para disputar o Senado, cenário que pode levar à realização de uma eleição indireta para a escolha de um governador-tampão ainda neste ano.
O cenário foi aberto após o governador Cláudio Castro (PL) sinalizar a intenção de disputar uma vaga ao Senado. Caso confirme a candidatura, Castro terá de renunciar ao cargo até abril deste ano, conforme a legislação eleitoral.
Vacância dupla e eleição indireta
O Rio de Janeiro está sem vice-governador desde que Thiago Pampolha deixou o cargo para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Pela Constituição estadual, a vacância simultânea dos cargos de governador e vice impõe a realização de uma eleição indireta.
Nesse modelo, o novo chefe do Executivo estadual é escolhido em votação na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, no prazo de até 30 dias após a saída do titular do cargo. O eleito cumpre apenas o período restante do mandato.
Nome de Ceciliano divide o partido
Entre os petistas favoráveis à participação direta do partido na disputa, ganhou força o nome de André Ceciliano, atual secretário de Assuntos Parlamentares do governo federal e ex-presidente da Alerj.
Para esse grupo, uma eventual vitória de Ceciliano na eleição indireta poderia ampliar o capital político do PT no estado e fortalecer a articulação para as eleições de outubro, em especial em apoio à provável candidatura do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), ao Palácio Guanabara.
Resistência e temor de ruptura política
A ala contrária dentro do PT avalia, no entanto, que assumir o comando do governo estadual, ainda que de forma temporária, pode gerar efeitos colaterais. Um dos principais temores é o aumento da pressão interna para que o partido rompa a aliança com Eduardo Paes e lance candidatura própria ao governo do estado.
Esse grupo argumenta que a disputa por um mandato-tampão pode desgastar politicamente o PT, além de criar conflitos estratégicos em um cenário eleitoral já considerado complexo no Rio de Janeiro.
Decisão ainda em aberto
Até o momento, a direção nacional do PT não se manifestou oficialmente sobre o tema. As discussões seguem em curso entre lideranças estaduais e nacionais, enquanto o desfecho depende da confirmação da renúncia de Cláudio Castro e do calendário a ser definido pela Alerj.