A greve dos Correios teve início na noite desta terça-feira, 16 de dezembro de 2025, impactando serviços essenciais de entrega em diversas regiões do país. A paralisação, deflagrada por trabalhadores de algumas das maiores bases da estatal, é por tempo indeterminado e visa pressionar a empresa por melhores condições de trabalho e remuneração. Sindicatos de estados como Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Ceará e Paraíba aprovaram o movimento, que também ganhou adesão em São Paulo, mesmo contra a orientação de parte da diretoria sindical local. A disputa central gira em torno da renovação do acordo coletivo de trabalho (ACT), que vem sendo prorrogado desde julho e cujas negociações não avançaram, levando os funcionários a cruzarem os braços. A mobilização promete gerar significativos desafios logísticos em todo o território nacional, afetando milhões de brasileiros.
A deflagração da paralisação e sua abrangência
A decisão de iniciar uma greve geral e por tempo indeterminado foi tomada após assembleias locais realizadas por sindicatos de trabalhadores dos Correios em várias das principais regiões do país. A paralisação foi aprovada em sete estados, conforme o anúncio oficial das representações sindicais, e entrou em vigor pontualmente às 22h da última terça-feira, 16 de dezembro. A abrangência do movimento é um fator crítico, sinalizando um impacto considerável nas operações de logística e entrega em nível nacional.
Bases que aderiram e o “estado de greve”
Especificamente, a greve obteve aprovação em Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Ceará e Paraíba, com o consentimento de suas respectivas direções sindicais locais. Em São Paulo, um dos maiores e mais estratégicos polos de funcionários da estatal, os trabalhadores também votaram pela paralisação, embora a decisão tenha sido tomada em oposição à orientação da diretoria do sindicato paulista, demonstrando a intensidade da insatisfação da categoria. Além dessas localidades, bases específicas como as do Vale do Paraíba (SP), Campinas (SP), Santos (SP) e Londrina (PR) igualmente decretaram a paralisação na mesma data, ampliando o escopo da mobilização.
Ainda que não tenham aderido imediatamente à greve, outros doze sindicatos de trabalhadores dos Correios decidiram manter o chamado “estado de greve”. Este alerta indica que os funcionários dessas regiões estão mobilizados e se preparando ativamente para uma possível paralisação, caso as negociações não avancem. As bases que se encontram nesse estado de prontidão incluem Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Maranhão, Pará, Piauí, Rio Grande do Norte, Mato Grosso do Sul, Roraima, Santa Maria (RS), Juiz de Fora (MG) e Bauru (SP). Essa ampla mobilização demonstra a capilaridade da insatisfação e a possibilidade de que o movimento grevista se alastre ainda mais, intensificando a crise nos serviços postais e logísticos.
O cerne das reivindicações dos funcionários
A insatisfação que culminou na greve tem raízes profundas e se manifesta em uma série de reivindicações claras e contundentes por parte dos funcionários dos Correios. A principal delas é a cobrança por reajustes salariais que realmente reflitam a realidade econômica do país, algo que, segundo os trabalhadores, não tem sido adequadamente proposto pela direção da empresa. Além disso, a manutenção de benefícios já estabelecidos é um ponto inegociável para a categoria, que se sente precarizada diante da atual conjuntura.
Demanda por reajustes e manutenção de benefícios
Entre as demandas mais expressivas dos funcionários, destacam-se a necessidade de um reajuste salarial baseado na inflação, algo que, segundo eles, tem sido negligenciado nas propostas da gestão dos Correios. A categoria argumenta que não é culpada pela crise financeira que a empresa estatal atravessa e que, portanto, não deve ser sacrificada ou ter seus direitos e benefícios suprimidos por essa situação.
Os trabalhadores buscam manter conquistas importantes do acordo coletivo anterior, como o adicional de 70% para férias, um benefício que complementa o terço constitucional. Outra exigência crucial é o pagamento de 200% para o trabalho realizado nos finais de semana, valorizando o esforço extra e o sacrifício pessoal dos funcionários em dias de descanso. Adicionalmente, um ponto de discórdia significativo é a concessão do benefício de fim de ano conhecido como “vale-peru”, no valor de R$ 2,5 mil, um adicional que os Correios têm se recusado a pagar, alegando a delicada situação financeira da estatal. A direção da empresa sustenta que as atuais condições econômicas não permitem a manutenção ou concessão desses valores, criando um impasse que se arrasta há meses e agora culmina na paralisação.
As tentativas de mediação e o impasse nas negociações
A busca por uma solução para o conflito entre os trabalhadores e a direção dos Correios não é recente. Desde que o atual acordo coletivo de trabalho (ACT) venceu em julho, as negociações têm se arrastado sem um consenso, levando à prorrogação do acordo vigente. Diante da iminência de uma paralisação, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) interveio na tentativa de mediar o impasse e evitar a greve, mas os esforços não foram suficientes para solucionar a questão.
Atuação do TST e a proposta rejeitada
O Tribunal Superior do Trabalho tem desempenhado um papel ativo nas tentativas de mediação, realizando reuniões com representantes sindicais e da direção da estatal. Desde a quinta-feira, 11 de dezembro, o TST conduziu diversos encontros. Na semana anterior à greve, foram realizadas duas reuniões, seguidas por mais um encontro na segunda-feira, 15 de dezembro. Na própria terça-feira, 16 de dezembro, dia da deflagração da greve, outras duas reuniões ocorreram em um último esforço para se chegar a um acordo.
Durante essas negociações mediadas pelo TST, os Correios apresentaram uma proposta que incluía um reajuste pela inflação e cediam a algumas outras exigências dos sindicatos. No entanto, a proposta da estatal não contemplava o pagamento do “vale-peru” de R$ 2,5 mil, um dos pontos cruciais para a categoria. Essa ausência foi o principal motivo para que a proposta fosse prontamente rejeitada pelos sindicatos, que consideraram a oferta insuficiente e incapaz de atender às necessidades dos trabalhadores. A recusa selou o destino das negociações, resultando na inevitável deflagração da greve por tempo indeterminado, a partir das 22h do mesmo dia.
A grave situação financeira da estatal
O pano de fundo para o impasse nas negociações e a consequente greve é a delicada situação financeira que os Correios vêm enfrentando. A empresa estatal, que é vital para a infraestrutura logística do país, tem registrado prejuízos significativos nos últimos anos, o que impacta diretamente sua capacidade de atender às demandas dos funcionários por reajustes e benefícios.
Prejuízos, empréstimos e o futuro da reestruturação
Os Correios reportaram um prejuízo acumulado de R$ 6,1 bilhões até setembro, um cenário que agrava a capacidade da estatal de honrar seus compromissos e investir em melhorias. Diante dessa realidade, a direção da empresa tem buscado alternativas para reequilibrar suas finanças. Recentemente, os Correios tentaram obter um empréstimo de R$ 20 bilhões junto a diversas instituições bancárias, com a garantia do Tesouro Nacional. Contudo, essa operação foi rejeitada pelo órgão, o que complicou ainda mais a busca por capital.
Atualmente, uma nova proposta de empréstimo, no valor de R$ 12 bilhões, está em análise no Ministério da Fazenda. Esse montante, caso aprovado, seria crucial e destinado a integrar um plano de reestruturação da estatal. A expectativa é que esse plano possa revitalizar a empresa, permitindo-lhe sair do vermelho e garantir sua sustentabilidade a longo prazo. No entanto, enquanto a situação financeira não se resolve e os empréstimos não são garantidos, a estatal permanece com argumentos sólidos para a recusa de grande parte das exigências dos trabalhadores, criando um ciclo vicioso de insatisfação e paralisações que afeta diretamente o serviço público de entrega em todo o país.
Cenário de incertezas e impacto nos serviços
A deflagração da greve por tempo indeterminado nos Correios configura um cenário de grande incerteza para a população brasileira e para o setor produtivo. Com a paralisação em andamento em estados chave e outras regiões em “estado de greve”, é esperado um impacto significativo e generalizado nos serviços de entrega de cartas, encomendas e demais operações logísticas da estatal. A duração do movimento dependerá da evolução das negociações e da capacidade das partes de chegarem a um consenso sobre o novo acordo coletivo. Milhões de pessoas e empresas podem ser afetadas, com atrasos em envios, entregas de documentos importantes e mercadorias, comprometendo o fluxo comercial e a comunicação em todo o território nacional.
Fonte: https://www.poder360.com.br