Wall Street já mira ETF de Venezuela dias após queda de Maduro

Com US$ 13,6 trilhões em ativos e quase 5.000 produtos, há um fundo negociado em bolsa (ETF, na sigla em inglês) para praticamente tudo. Em breve, pode haver um voltado a ações venezuelanas — ou, ao menos, a empresas com presença relevante no país.

O Teucrium Venezuela Exposure ETF pretende acompanhar um índice composto por empresas sediadas na Venezuela, além de companhias que tenham mais da metade de seus ativos no país ou que obtenham mais de 50% da receita a partir da Venezuela, segundo um pedido apresentado na segunda-feira à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC). Assim, o fundo não se limitaria a ações listadas na Venezuela, mas incluiria empresas com exposição significativa ao país latino-americano.

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O protocolo junto aos reguladores americanos ocorreu poucos dias após os EUA realizarem uma operação sigilosa de fim de semana que resultou na saída do presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Caso seja lançado, o ETF da Teucrium será o primeiro desse tipo. Embora exista um pequeno número de fundos com títulos da dívida venezuelana, dados da Bloomberg Intelligence indicam que não há ETFs em operação que busquem criar exposição ao mercado acionário da Venezuela, que é pequeno e tem baixa liquidez.

A Bolsa de Valores de Caracas subiu 16,45% na segunda-feira, segundo dados compilados pela Bloomberg e pela própria bolsa, ampliando uma recente alta.

Apesar da enxurrada de incertezas sobre a futura governança da Venezuela e dos desafios práticos para investir em seus ativos, faz sentido que um emissor de ETFs tente chegar primeiro ao mercado, segundo Eric Balchunas, da Bloomberg Intelligence.

“Não é algo totalmente ‘ETFizável’. É um país de fronteira, sem liquidez”, afirmou Balchunas, analista sênior de ETFs. “Isso é a indústria de ETFs sendo oportunista e tentando tirar proveito do momento.”

A saída de Maduro desencadeou uma forte valorização no mercado de títulos da dívida venezuelana, com credores de longa data especulando que o movimento possa levar, no futuro, a uma reestruturação do passivo do país. A Venezuela deixou de pagar sua dívida há cerca de oito anos, com negociações praticamente inexistentes diante das sanções dos EUA.

Isso beneficiou o pequeno grupo de ETFs que detêm dívida venezuelana. Entre eles está o Virtus Stone Harbor Emerging Markets High Yield Bond ETF (ticker VEMY), que começou a aumentar sua exposição a esses títulos há cerca de um ano, segundo o gestor de portfólio Jim Craige.

Craige, diretor de investimentos da Stone Harbor Investment Partners, acredita que uma possível renegociação da dívida pode ocorrer nos próximos 18 a 24 meses.

“A dívida inadimplente que temos no fundo e em outras estratégias subiu significativamente de preço e deve continuar assim”, disse ele ao programa ETF IQ, da Bloomberg Television, na segunda-feira. “Ela é negociada a 35 centavos por dólar, e o valor do crédito está entre uma vez e meia e duas vezes isso. Então, com uma reestruturação relativamente simples, esperamos extrair muito valor.”

Apesar do otimismo em relação à dívida do país, Balchunas, da BI, suspeita que o mercado-alvo para um ETF de ações venezuelanas seja pequeno. Ainda assim, trata-se de um raro espaço em branco para emissores que disputam um mercado de ETFs cada vez mais concorrido.

“De vez em quando, surge um evento ou catalisador e a indústria percebe que, por menor que seja a lacuna ou o nicho, há potencial para uma nova exposição”, afirmou Todd Sohn. “Isso fica evidente aqui.”

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